Antecedentes


A cidade do Porto assumiu no início do século passado um papel pioneiro ao definir a concretizar um sistema de redes coletoras, interpretação e destino final das águas residuais, o que permitiu durante algumas décadas uma ausência de descargas poluentes no rio Douro, com princípios e métodos considerados como adequados às condições de então.

O princípio de rejeição das águas residuais consistia em conduzi-las para o Oceano Atlântico, efetuando o seu lançamento na zona terminal do rio, realizando-se, assim, um adequado lançamento do efluente no rio, dito de “à maré”. Este lançamento era realizado na zona terminal deste curso de água, a partir de tanques de retenção situados na zona de Sobreiras, local para onde convergiam os intercetores existentes à época.

Ao longo de décadas assistiu-se à extensão dos intercetores e ampliação das redes coletoras, acompanhando a expansão urbanística da cidade, mantendo-se princípios atrás mencionados, ou seja, a concentração de todas as águas residuais em Sobreiras.

Consequência deste desajuste temporal, verificou-se a influência dos intercetores e tanques de Sobreiras, pelo que as descargas no rio Douro se passaram a efetuar em vários locais e de forma contínua, situação que não se coaduna com as exigências ambientais dos nossos dias.



Principais Características da ETAR


A ETAR de Sobreiras trata as águas residuais domésticas da parte Ocidental da cidade do Porto, tendo sido dimensionada para servir um equivalente populacional de 200.000 habitantes.

A conceção do sistema de tratamento foi efetuada de modo a assegurar que o efluente tratado tenha características compatíveis com a sua utilização na rega de espaços verdes e como água de serviço no interior da instalação.

Na conceção desta ETAR foram, ainda, impostas restrições significativas de modo a minimizar a eventual ocorrência de distúrbios ambientais associados à emanação de odores, ruídos e poeiras.

Para permitir a concretização destes objetivos, a ETAR é constituída por módulos de tratamento integralmente fechados, ventilados e desodorizados, sendo as zonas técnicas de implantação dos equipamentos ruidosos isoladas e sujeitas a um tratamento acústico específico.

Devido à exiguidade de terreno disponível, e por forma a minimizar o impacte visual das construções, a ETAR desenvolve-se em vários níveis e encontra-se parcialmente enterrada, partindo da cota da Rua de Sobreiras e terminando à cota da Rua de Gaspar Correia.

Para além disso, as coberturas dos principais órgãos de tratamento são vegetalizadas e a zona envolvente ajardinada.



Etapas do Tratamento


A ETAR é constituída por três linhas de tratamento: a linha líquida, a linha de lamas e a linha de desodorização.

A linha líquida, onde se realiza o tratamento das águas residuais afluentes, é constituída pelas seguintes etapas de tratamento:

1) Tratamento Preliminar, destina-se à remoção dos detritos (gradados) com dimensões significativas, areias, óleos e gorduras, sendo constituído pelas seguintes etapas principais:

  • Gradagem
  • Tamisagem
  • Remoção das areias e gorduras
  • Reator biológico de tratamento de gorduras


2) Tratamento primário, destinado à remoção da componente sedimentável dos sólidos em suspensão existentes na água residual, que se efetua em decantadores primários lamelares.


3) Tratamento secundário, destinado à remoção dos compostos de natureza orgânica e dos nutrientes (azoto e parte do fósforo) existentes na água residual. Esta etapa inclui as seguintes fases principais:

  • Reator biológico constituído por três zonas – anóxica, arejada e endógena;
  • Recirculação do “licor misto”;
  • Decantadores secundários retangulares;
  • Recirculação das lamas biológicas para o reator biológico.


4) Tratamento terciário, esta etapa do tratamento é constituída pelas seguintes operações:

  • Filtração em leito de areia;
  • Desinfeção por radiação ultravioleta


Por sua vez, a linha de tratamento de lamas é constituída pelas seguintes etapas principais:


1) Espessamento das lamas brutas, que é realizado em dois órgãos distintos:

  • Espessamento por flotação das lamas biológicas em excesso
  • Mistura e homogeneização das lamas biológicas espessadas com as lamas primárias.


2) Desidratação das lamas espessadas.

Após homogeneização as lamas são desidratadas até um teor em sólidos de 30%. Esta intervenção inclui as seguintes fases:

  • Condicionamento químico com polímero;
  • Desidratação em centrífugas.


3)Estabilização Química

As lamas desidratadas são, ainda, sujeitas a uma etapa final de estabilização química com cal viva, destinada a garantir condições adequadas ao seu armazenamento e transporte a destino final.


4)Armazenamento

Antes do seu transporte a destino final, as lamas são armazenadas em dois silos com uma capacidade de aprox. 270 m3.



A ETAR de Sobreiras está, ainda, equipada com uma linha de tratamento de odores, constituída por um circuito de extração generalizada de ar viciado do interior de todos os órgãos e tratamento, conduzindo-o a um sistema específico.


A linha de tratamento de ar tem uma capacidade instalada para tratar um volume de cerca de 60.000 m3/h de ar viciado. O tratamento do ar viciado consiste na sua lavagem química sequencial em três etapas:

  • Lavagem ácida, com ácido sulfúrico;
  • Lavagem oxidante, com hipoclorito de sódio;
  • Lavagem básica com hidróxido de sódio.


Após tratamento, o ar não apresenta quaisquer odores.



ETAR de Sobreiras - Ficha Técnica

(Estação de Tratamento de Águas Residuais)

                              

Localização: Freguesia de Lordelo do Ouro, no terreno atualmente ocupado pela Central de Sobreiras

Terreno Ocupado: 1,6 ha

Meio Recetor: Rio Douro.

Qualidade do Efluente Final: Permitirá a sua reutilização na rega de espaços verdes e como água de serviço no interior da ETAR.