Os Serviços Municipalizados de Água e Saneamento do Porto (SMAS do Porto) foram criados em 1 de Abril de 1927 e tinham como missão melhorar a qualidade de vida dos portuenses e o ambiente da cidade do Porto, através de um serviço de excelência que garantisse o fornecimento constante de água com qualidade e o tratamento completo das suas águas residuais.


Quando os SMAS do Porto foram criados já existiam redes de abastecimento de água e de saneamento. Reporta-se a 1392 o mais remoto registo histórico de que há notícia, revelador do facto de há mais de seis séculos o Porto já possuir fontes e chafarizes para uso público, embora sem condições de higiene.

Com o crescimento da população e consequente concentração, os problemas foram-se agravando, sendo necessário aproveitar o manancial de Paranhos, situado no subsolo do Jardim da Praça 9 de Abril, mais conhecido como Jardim da Arca d' Água.


No reinado de D. Filipe I, iniciou-se o seu encanamento que ficou concluído em 1607, permitindo o transporte da água até à cidade, alimentando várias fontes ao longo do seu percurso. Foi longa a prestação desta obra, mas com o decorrer dos anos as obstruções e as fugas obrigavam a sucessivas reparações.


No ano de 1825, foi aprovado novo trajeto que devia incorporar um outro aqueduto, já em construção, o de Salgueiros, com origem na atual rua de Antero de Quental. O novo aqueduto, com uma extensão de cerca de 3,5 Km, ficou concluído em 1838 e terminava na Arca de Sá Noronha. Antes do que viria a ser o abastecimento domiciliário de água, a maioria da população recorria às fontes públicas, mas os mais abastados estabeleciam contratos com os "aguadeiros" - normalmente galegos fugidos ao serviço militar - que vendiam água a "avulso" ou "por assinatura". No entanto, a contaminação das águas, as doenças transmitidas, a evolução dos cuidados com a saúde e ainda as exigências quanto à qualidade de vida impunham uma transformação radical do sistema.


A partir de 1855, surgem várias companhias candidatas ao projeto e execução de obras de captação, elevação, transporte e distribuição domiciliária, sendo em 22 de Março de 1882 assinado o contrato com a "Compagnie Générale des Eaux pour l'Étranger", o qual é aprovado por Carta de Lei, em 27 de Julho do mesmo ano. Por este documento, é dada à Cidade do Porto a água dos Rios Sousa e Ferreira para seu uso exclusivo. 


O contrato com a Compagnie Générale era válido por 99 anos, prazo máximo então permitido por Lei e foi estendido a Matosinhos no princípio do século. Os trabalhos são concluídos em 1886, ficando em 1 de Janeiro de 1887 o abastecimento regularizado. Tinham sido construídos a Central do Sousa, o Túnel-Reservatório de Jovim, os Reservatórios de St.º Isidro, dos Congregados e de S. João da Foz e a conhecida Fonte Monumental (dos Leões), cuja função era a diminuição da pressão da água na zona baixa da cidade, e assentes mais de 70km de tubagens.


O sistema mostrou-se extremamente vulnerável em regime de cheias dos Rios Douro e Sousa, começando a Câmara a exercer fortes pressões junto da Companhia que conduziram ao resgate da concessão em 28 de Março de 1927, por 3.500 contos, e à criação dos Serviços Municipalizados Águas e Saneamento em 1 de Abril desse ano.


Os Serviços Municipalizados Águas e Saneamento começaram por beneficiar a Central do Sousa e construir os Reservatórios (1928) e a Central (1929) de Nova Sintra.


Em 1934, por decreto-lei, viram-se os Serviços na obrigação de abastecer os concelhos de Gondomar, Gaia e Matosinhos. Como reforço à captação do Sousa, procederam-se às aberturas de poços no areal de Zebreiros (rio Douro), estando em 1938 oito em funcionamento.


A crescente importância de Zebreiros justificou a construção da Central de Zebreiros, que ficou pronta em 1940. Na cidade foi iniciada em 1959 a construção do reservatório do Bonfim que ficou concluído em 1961.


Na década de 70, integrados no sistema regional, foram construídos o Reservatório de Ramalde, em Gondomar, Reservatório de Pedrouços, na Maia e a uma Central elevatória em Jovim. Com a construção da barragem de Crestuma, por intrusão de água do mar, graves problemas surgiram nas captações de Zebreiros face ao aumento do teor de cloretos. Foi decidido construir novas captações no subleito do Douro, a montante da barragem na zona de Lever.


Em 1985 entrava em funcionamento a Central Elevatória de Lever, desativando-se a centenária Central do Sousa e as captações de Zebreiros.


A necessidade de grandes investimentos ao nível de captação e tratamento de água levaram à constituição de uma empresa de capitais públicos - Águas do Douro e Paiva - que a partir de Janeiro de 1998 passou a garantir o abastecimento em alta à Área Metropolitana do Porto, passando os SMAS a garantir apenas distribuição em baixa de água na cidade.


Em Outubro de 2006 foi constituída a Águas do Porto, E.M., uma empresa municipal cujo capital social é detido, na sua totalidade, pela Câmara Municipal do Porto. A empresa dá continuidade aos serviços prestados pelos antigos SMAS do Porto, abarcando atualmente novas áreas de atuação, correspondendo o seu objeto social à gestão integrada e sustentável de todo o ciclo urbano da água no município do Porto


Em novembro de 2020, além da gestão integrada e sustentável de todo o ciclo urbano da água no Município do Porto, junta-se também a definição e execução da estratégia energética municipal. Estão, deste modo, englobadas as seguintes atividades na Águas e Energia do Porto, E.M., : distribuição de água (sistema em baixa), drenagem e tratamento de águas residuais (sistemas em baixa e em alta), drenagem de águas pluviais, gestão das linhas de água (rios e ribeiras urbanas), gestão da frente marítima, gestão da energia e promoção da educação ambiental e da sustentabilidade.


Enquadramento


No ano de 1927, a Câmara Municipal do Porto adquiriu à firma Almeida & Miranda a propriedade da Quinta de Vilar das Oliveiras. Estes terrenos incluíam o palacete burguês de meados do século XIX (com dupla entrada, zona de salas no R7C e quartos no 1º piso), a estrebaria e uma mata/bosque que cobria toda a extensão do imóvel rústico. A 28 de Março de 1927 são criados os Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento que entram em funcionamento no dia 1 de abril, consagrando, a 8 de maio, com o resgate do serviço de abastecimento de água à Compagnie Generale des Eaux à Porto, a junção das águas ao saneamento, então da responsabilidade da 4ª Repartição da CMP. Iniciam-se, neste mesmo ano, os trabalhos de adequação do palacete à sua nova função de serviços, transformando as dependências de habitação em zonas de trabalho, empreitada essa que estaria finalizada no ano de 1929 conjuntamente com a construção do novo reservatório e respetiva central de elevação. No que respeita ao terreno envolvente do palacete, o mesmo foi desmatado de forma a ampliar a zona de acesso e trabalho relacionado com os dois equipamentos anteriormente referidos.

Cabe dizer que a propriedade como hoje a conhecemos contou ainda com a compra de mais dois terrenos: o primeiro a Norte, em frente ao Colégio do Barão de Nova Sintra e o segundo a Nordeste, contíguo às instalações do Palácio/garagem Ford.


Entre 1931 e 1935, foram elaborados pelos serviços técnicos dos SMAS os projetos de ampliação do palacete de forma a poder albergar as áreas funcionais que, entretanto, foram criadas, resultando no completamento em “T”, numa ala a poente duplicando a área disponível para os Serviços, fechando definitivamente a antiga fachada poente do palacete onde se situavam, pelo exterior, os quartos de banho. Estes trabalhos concluir-se-iam em 1940 com a finalização da construção de uma cave inferior a toda a superfície do novo conjunto edificado e a construção de duas baterias de sanitários precisamente na parede de transição entre o palacete e a ala nova. Neste ano seria ainda inaugurado o edifício da cantina, estabilizado o do laboratório (constituído em 1937) /casa do almoxarife/garagem do Diretor, concluído o novo edifício que substituiria as estrebarias, iniciados os trabalhos da zona oficinal e aberto o edifício, a Norte, de apoio ao serviço.


Entre 1940 e 1960, várias modificações foram realizadas no interior do edifício-sede, não afetando, contudo, a sua imagem exterior. De facto, para além da introdução de novos corpos de sanitários femininos e da adequação dos espaços do R/C (tesouraria, contabilidade e serviços administrativos, do 1º piso (serviços técnicos e de obra) e da cave (vários arquivos, escola dos SMAS e área de gestão do pessoal), a zona relativa ao antigo palacete continuaria praticamente só ocupada com a administração e os serviços de direção das várias divisões funcionais, conservando, no essencial, a sua traça interior.


No ano de 1963, à ala poente do edifício seria acrescentado um piso de forma a albergar os serviços de desenho técnico e obra pública e complementar a zona de arquivo da cave, nomeadamente no sótão do antigo palacete, datando, pois, desta data a imagem contemporânea do conjunto edificado do edifício-sede. Entre 1964 e 1987, coincidindo com algumas alterações na orgânica de funcionamento dos SMAS, teriam lugar alguns trabalhos de remodelação interior principalmente na ala poente do edifício, sem, contudo, modificar a sua estrutura, cingindo-se apenas à mudança de paredes divisórias de construção aligeirada. Em 1987, no contexto das comemorações do centenário do abastecimento de água ao Porto, foi objeto de remodelação a entrada principal criando um eixo geométrico com a escultura de Irene Vilar, encerrando a passagem interior para as salas de projetos e renovando a escadaria de acesso aos gabinetes da administração.


A passagem dos SMAS a empresa municipal (Águas do Porto) em 2006 não implicou alterações de maior na configuração interior do edifício sendo que, até 2015, ano em que se procedeu a uma operação mais abrangente de limpeza e pintura das fachadas, substituição das caixilharias e da cobertura, apenas se continuando com a política de operações cirúrgicas no interior do edifício, como por exemplo a transformação da zona de tesouraria e atendimento ao público situada no topo Norte do R/C da ala Poente numa área multiusos e ligada aos Projetos e Obras. Em 2017, com a remodelação da cave e a sua estabilização como Unidade de Informação e Interpretação do Património – o que implicou o restauro dos corredores, a limpeza das salas de núcleos arqueológicos industriais e o equipamento, pintura e restauro das salas de arquivo, foi possível libertar o sótão da carga que continha passando este a ser um espaço amplo e sem sobrecarga estrutural. Em 2018, foram realizadas obras de remodelação do sótão no sentido de albergar funcionários dessa unidade orgânica, situação que se manteve, de forma transitória até 2022 sempre que foi necessário encontrar um espaço temporário para alguma unidade orgânica. No momento encontra-se vazio, o que significa um alívio das condições de sobrecarga estrutural sobre o piso da Administração. Convém referir ainda que, para além das infraestruturas elétricas, de águas e saneamento que circulam no interior do edifício e que foram sendo alteradas desde a sua estabilização em 1949 de acordo com as necessidades dos serviços, já no âmbito da empresa municipal, muitas delas, nomeadamente as de energia foram devidamente encabeladas e conduzidas em conduta própria aparente ou em esteiras de teto. Entre 2016 e 2022 seriam remodelados os topos Norte e Sul da ala poente da Sede respetivamente no R/C com a construção das novas instalações sanitárias, da nova área de Gestão de Operações, no 1º piso com a remodelação da área dos Sistemas de Informação e no último piso com a recompartimentação dos gabinetes da Gestão de Pessoas e da Contabilidade.


Após noventa e cinco anos de intervenções sucessivas podemos distinguir o edifício-sede em dois sectores: o primeiro que respeita à ampliação concluída em 1963 e que apresenta bastante flexibilidade de transformação e remodelação à medida das necessidades do serviço, o segundo correspondente ao antigo palacete burguês no qual ainda é possível observar elementos originais como os tetos trabalhados do piso térreo e do 1º piso, a lareira e sala da antiga família que o ocupava e a estrutura de mobilidade vertical que se mantém formalmente idêntica às obras de melhoramentos realizadas pela firma Almeida & Miranda entre 1922 e 1927.